terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A lâmpada mágica de Aladin e a inovação




A ocorrência de um evento criativo ou inovador é, na maioria das vezes, muito discreto. É tão discreto que passa quase desapercebido aos olhos de quem está no comando, submetido a processos de comunicação, que misturam um monte de idéias e palavras, a maioria descartada em reuniões, em documentos, em notas e em conversas, além de outras formas dinâmicas de conteúdos, especialmente dentro das instituições.

Uma visão oportunista, sem censura, atenta, capaz muitas vezes de compreender modelos caóticos da realidade, se faz necessária, para equilibrar algo que parece prolixo, separando o profícuo do confuso.

Observações eficientes alimentam quebra-cabeças em permanente construção dos modelos e abstrações da realidade-foco. Palavras, seus significados e implicações conjugam-se em tempos imprecisos, frente ao estoque de demandas conhecidas ou intuídas, atuais ou futuras, ajustáveis ou adequadas aos resultados, que trarão as inovações sugeridas, desencadeadas ao sabor desse cruzamento matricial fantástico que é o encontro entre mentes criativas e mentes articuladas e disciplinadas na capacidade de orquestrar inovações.

Por um princípio do processo criativo, não se deve filtrar essa inspiração e suas combinações, ao contrário, integrando todas elas numa espécie de matriz, que possui geometricamente a estrutura de um cubo. Além do cubo ser um objeto espacialmente visível em um holograma que possua brilho e movimento, precisa que ele também expresse alguma lógica, nesse caso que possa exprimir algo novo, inusitado, preemptivo. Aquele momento em que um caleidoscópio representa o seu melhor momento e deve, então, se fotografado.

Numa visão pessimista, essa seria uma forma muito difícil de ser imaginada ou detectada no mundo utilitário e realista das buscas criativas ou inovadoras, o que tornaria nosso holograma, nesse caso, algo tão sutil, por estar nas entrelinhas, que só mesmo alguns poucos gênios seriam capazes de vê-lo. Mas aí surge o nosso gerente-aladin, um ser de mente preparada para o novo... aberto às entrelinhas... capaz de perseguir seus limites até transpô-los. Capaz de se dedicar a tocar em muitas lâmpadas que lhe chegam aleatórias, até que a perfeita e adequada ao seu problema se lhe acenda...!

A vantagem é que, no Brasil, temos muita criatividade, advinda de mentes destravadas e criativas e, entre elas, algumas geniais, obviamente. Nossos gênios estão em muitos lugares, embora a maioria ainda esteja em seus mundos herméticos.

Os maiores executivos, ou aqueles que se tornarão ou já são vencedores e importantes, não serão certamente os moradores desses mundos herméticos, dessas lâmpadas mágicas. Eles serão os que terão a oportunidade e a competência de libertar esses gênios de suas moradias bloqueadas, algumas das quais flutuam milênios à espera do gerente que irá acariciá-la, libertando toda a profusão de formas, objetos e idéias nebulosas, que uma vez liberadas dá asas a toda a criatividade e inovação ali contida.

E assim nosso nebuloso universo de problemas passa a ter um observador, maestro da harmonia dessa sutil melodia, o gerente-aladin, especialista em promover o encontro da coisa criada, com a demanda implícita. Ou explícita, quem sabe...!


Artigo originalmente escrito pelo blogger para o site:
http://www.brasilidea.com.br/artigos2011-03-04.html



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